
Ídolo de Bukowski, o escritor John Fante faria 100 anos em 2009. O Velho Safado conheceu-o ainda na juventude, ao vagabundear pelos corredores da Biblioteca Pública de Los Angeles, tirando livros e mais livros em busca de algo que lhe aliviasse a alma, quando encontrou “ouro no lixo”. Era uma edição carcomida de Pergunte ao pó (esgotado), obra que salvaria sua vida e lhe daria as bases para a literatura solta, rápida e irônica que desenvolveu.
Nascido em 1909 em Denver (EUA), Fante era fi lho de imigrantes pobres vindos da Itália. E sua literatura está totalmente calcada na origem precária que teve. Seu personagem principal, Arturo Bandini, é um aspirante a escritor sem recursos, mas que não deixa a má sorte e as difi - culdades lhe tirarem a pompa de grande escritor. Sem reconhecimento algum, Bandini vive muitas desventuras na cidade grande: mora em hotéis baratos, passa fome e se embebeda sempre que pode.
Daí o fascínio de Bukowski pelo italia- ninho de Fante, já que Henry Chinaski é uma espécie de Bandini escrachado, mais bêbado e com menos escrúpulo. Assim como seu personagem, Fante teve pouco reconhecimento literário em vida. Durante 40 anos, foi roteirista de Hollywood ao lado de nomes como Francis Scott Fitzgerald. Sua trajetória literária só começaria a mudar a partir dos anos 1980, quando a Black Sparrow Press, que editava os livros de Bukowski, resgatou Pergunte ao pó (Ask the Dust) do limbo.
Foi a vez de Bukowski salvar Fante.

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