Sunday, February 08, 2009

“O meu trabalho / a todo / outro trabalho / é igual. / Veja só / quantas perdas de vulto, / que despesas / requerem / meus produtos / e quantos / gastos / com material. (...) / Cidadão fiscal de rendas, / eu lhe juro, / as palavras / custam / ao poeta / um duro juro. / Para nós, / a rima / é um barril. / Barril de dinamite. / O verso, um estopim. / A linha se incendeia / e quando chega / ao fim / explode / e a cidade em estrofe / voa em mil. / Onde encontrar / e a que tarifa / uma rima que mire / e mate de uma vez? Dela / talvez / ainda sobrevivam / cinco exemplares / nos confins / da Venezuela. / E tenho que enfrentar / pólos e saaras, / e me lanço / entre dívidas / e vales dividido. / Cidadão, / condescenda, / as passagens são caras! / A poesia / - toda - / é uma viagem ao desconhecido. (...) / Come, / como se diz, / quilos de sal, / maços / e maços / de cigarros consome / para extrair / a palavra essencial / das profundezas / artesianas do homem. / (...) Porém / se vocês pensam / que se trata apenas / de copiar / palavras a esmo, / eis aqui, camaradas, / minha pena, / podem / escrever / vocês mesmos!”

MAIAKOVSKY

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